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Rota Oeste arrecadou R$ 2,9 bilhões em pedágio, mas, apenas 26,5% da obra de duplicação foi concluída

Empresa alega dificuldades financeiras para continuar com investimentos
Uma das praças de pedágio instaladas pela concessionária em MT — Foto: Divulgação/Rota do Oeste

A concessionária Rota Oeste arrecadou R$ 2,9 bilhões em pedágio na BR-163 desde o início do funcionamento, em setembro de 2015, até abril deste ano. O contrato estabelecido com o governo federal determinou investimento de R$ 4,6 bilhões, sendo R$ 2,3 bilhões para a duplicação da rodovia.

As obras de infraestrutura estão paradas desde 2016 e provocou cenário de prejuízo aos usuários e empresas de transporte.

A Rota do Oeste alega dificuldades financeiras para continuar com os investimentos, por isso, não pôde realizar as manutenções necessárias para atender o fluxo de veículos na pista.

De acordo com a empresa, desde o início da assinatura do contrato, em março de 2014, até abril de 2022, foi investido R$ 3,5 bilhões, considerando investimento em obras, recuperação do pavimento, atendimento operacional e pagamento de imposto a 19 municípios.

A concessionária diz ainda que todo o valor arrecadado em pedágio foi integralmente revertido para a manutenção dos 850 quilômetros sob concessão.

O governo de Mato Grosso, por sua vez, cita que a falta de infraestrutura na BR não é culpa do estado, já que o trecho é de responsabilidade federal. O estado diz que, apesar disso, tem cobrado uma solução do governo federal para que traga mais segurança aos usuários que dependem da rodovia.

 

 

Concessão devolvida

O Ministério da Infraestrutura aceitou, no começo deste mês, a devolução amigável da concessão. O novo edital deve ser publicado somente após aprovação de um decreto presidencial. Em seguida, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) irá abrir o leilão para escolher uma nova empresa a fim de administrar a rodovia.

Devido à devolução, alguns trechos estão passando por um processo de “relicitação”, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Um processo como esse pode levar até dois anos. Nesse meio tempo, a concessionária assina um termo aditivo e assume novas obrigações, como manutenção e suporte aos usuários.

Em fevereiro deste ano, o prefeito de Sorriso, Ari Lafin, (PSDB), anunciou, por meio do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico Social e Ambiental (Cidesa), que pretende assumir a administração de parte da BR-163 para concluir a duplicação da rodovia.

O consórcio, formado por 15 municípios, quer realizar uma fusão entre os municípios, em parceria com entidades organizadas, produtores rurais e a iniciativa privada para dar andamento às obras na estrada.

 

Trecho perigoso

O acidente que matou oito pessoas na BR-163 e deixou pelo menos 13 feridos, no norte de Mato Grosso, nesta terça-feira (17), não foi um caso isolado. A região é marcada por graves acidentes, de acordo com o chefe da Polícia Rodoviária Federal de Sorriso, Leonardo Ramos.

Um levantamento da Confederação Nacional de Transportes (CNT) também mostrou que a BR-163 é a rodovia que mais mata no estado. Apenas no ano passado, o número de mortes na BR-163 chegou a 223 no estado. O estudo ainda apontou que, em média, acontecem 41 acidentes com vítimas a cada 100 km de rodovia.

De acordo com a Rota do Oeste, cerca de 70 mil veículos passam pela BR por dia, sendo 68% caminhões.